Os dias têm passado tranqüilos. Embora sinta falta da minha mãe cuidando da casa. Seu zelo pelo jardim, pelas plantas, era como comungar com a natureza das coisas de uma maneira laboriosa. Seus instintos de mãe faziam-se sentir mesmo nos momentos de pura introspecção. Dava para ouvir através dos olhos, numa sinestesia de sentidos, que mesmo concentrados nas tarefas cotidianas não estavam ali, mas recordando uma filha ausente, perquirindo os vôos promissores de outro filho mais próximo e um futuro há muito esperado mas ainda não realizado de um terceiro. Desejos confundidos com preces, mesmo que solitárias, que guardam sinceridade, sem dogmatismos nem receios de nada. Ainda acordo esperando ouvir a casa, a alegria das plantas, dos cachorros, dos passarinhos, das paredes, dos móveis a dançar de um lado para o outro, dos detalhes tão singelos. Tudo é mágico, é bonito, é sacro. Sim, isso mesmo. A casa toma ares de templo, como os gregos a concebiam. Minha guardiã do templo. Hoje tudo fenece sem a tua presença. Mas não há de tardar o dia em que voltarás como rainha a governar teu reino, modelando e colocando tudo em conformidade com teus caprichos que também são nossos. E voltaremos a sorrir, a fazer festas e convidar os amigos. Todos se sentindo parte da casa, pintando historias que ficarão incrustadas, não nas almas, mas nas paredes da casa, e chegará também esse dia em que elas deixarão de ter apenas ouvidos e criarão bocas e contarão que aqui vivia uma mulher que delas se fez senhora e a todos governou com sabedoria, trabalho e fé de que tudo daria certo, inevitavelmente.
Luiz Mario S. Dourado
07/04/2009 01:46
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Lembrete
Há muito não escrevo nada sobre a amizade que nos cerca, sobre o sentimento recíproco, que às vezes adormece ante o cotidiano louco e absurdo que vivemos. O tempo capturado em cada instante, querendo fazer a vida valer a pena, dando sentido intimo a tudo, esse hedonismo que nos cerca. Por vezes porém, e não são poucas, nos resguardamos, na nossa casa, no nosso quarto, lá no escrutínio da alma, e lembramos, com certo saudosismo, (por que recordar é viver) que outras partes de nós estão num outro plano, numa outra realidade a se mensurar e crescer harmoniosamente. E sentimos que, mesmo longe, estas outras partes vão se completando, equitativamente, porque com generosidade, uma empresta a outra o quinhão que conseguiu na lida, na labuta e assim, cada uma segue seu curso, onde invariavelmente (apesar dos descaminhos) aponta para a união a cada etapa destas partes, celebrando mais um ciclo, que para nós, já é uma forma de rejuvenescimento, de passagem de qualquer coisa de mística, divina. É o elixir de juventude que todos procuram e que nós encontramos nos resgates de memória, de tempos, eternamente gravados em nossos corações.
Pequena
Apesar de curinga como você mesma disse, esse tratamento me lembra momentos de uma felicidade fugaz, porém, muito intensa, de uma história curta, mas com direito a todos os caprichos de um relacionamento duradouro, que apesar da sua relutância em admitir, eu insistentemente tomava para mim como um namoro, e ainda sob minha ótica eu o via bonito e sincero. Você nos definiu como duas crianças e num presente que lembra a mais tenra idade da infância, você me disse que eu havia lhe conquistado. Não sabia eu que o coração das mulheres é muito mais simples do que imaginava. Sábio conselho de professor: “para se conquistar as mulheres recorra às ações mais pós-modernas e inovadoras possíveis, mimos, flores e bombons” no meu caso junte-se a isso uma dose de timidez e paciência. Gostaria de falar sobre muitos momentos belos que tivemos, mas o que mais me atrai é como furtivamente entravamos em casa, como que envergonhados, temendo a reprovação ao olhar de terceiros, contudo, saíamos sempre convalescidos pelo deleite inebriante da companhia de um ao outro, envoltos na madrugada fria de uma cidade deserta a escutar os apitos de vigilantes temerosos que ladrões mais espertos assaltassem casas, e nós estávamos ali, indiferentes, saboreando a passos arrastados, caminhando juntos, noite após noite para o nosso ocaso. O poeta certa vez disse que saudade maior é de quem fica, certamente ele deve ter ficado, eu de minha parte que parti, digo que a dor é deveras grande para ambos. Bem, na falta de um apelido carinhoso a que um dia me identifiques na multidão e me torne singular entre os demais, tente lembrar-se de mim como alguém, inseguro, bobo, às vezes “bruxinho” e que gostou/gosta de você de graça e que só se sentia feliz quando “via” você com as mãos, os pés, braços, com a boca, com o frio da noite e o calor da pele...
Todas as noites quando durmo
Sonho ser alguém que não fui...
É um vicio perigoso.
Acordo sendo eu mesmo
Desconstruído, nauseado
Recomeço tudo de novo
Na manhã, tudo é muito claro
O sol inclemente ofusca
(exceto nos dias nublados)
A vida torna-se mais realista,
Aos poucos, com o cair das sombras
Retomo a quimera
Dos meus desejos contidos
Não há nada que não tenha sido
Farta imaginação...
Outra vez a ressaca...
Sucedem-se dias e noites.
Fantástica poesia dialética.
Jogo de lucidez e loucura.
Até quando?...
Lula Dourado 25/7/2009 00:36h
Sonho ser alguém que não fui...
É um vicio perigoso.
Acordo sendo eu mesmo
Desconstruído, nauseado
Recomeço tudo de novo
Na manhã, tudo é muito claro
O sol inclemente ofusca
(exceto nos dias nublados)
A vida torna-se mais realista,
Aos poucos, com o cair das sombras
Retomo a quimera
Dos meus desejos contidos
Não há nada que não tenha sido
Farta imaginação...
Outra vez a ressaca...
Sucedem-se dias e noites.
Fantástica poesia dialética.
Jogo de lucidez e loucura.
Até quando?...
Lula Dourado 25/7/2009 00:36h
O Home Duplicado - Saramago
SARAMAGO. José. O Homem Duplicado. Companhia das Letras. São Paulo, 2002.
Personagens:
Tertuliano Máximo Afonso (Professor de História)
Antonio Claro. (Daniel Santa-Clara)
Maria da Paz
Helena
Carolina Máximo Afonso. (Mãe)
Professor de Matemática
Diretor do Colégio.
A forma singular com que Saramago constrói seus romances manifesta-se não somente no aspecto visual de uma escrita “ausente” de demarcações diferindo dos demais escritores, mas sobretudo, pela majestosa maneira como enreda suas histórias, dotando seus personagens de significativos traços psicológicos, que para o senso comum, beira a loucura, embora faça parte da ambiência da obra do escritor. Assim é em A caverna, Ensaio Sobre a Cegueira, Jangada de Pedra, onde os personagens se vêem em torno de uma trama aparentemente absurda, mas que no fundo desnuda a natureza humana ante a face absurda do acontecimento, colocando em xeque seu humano (paixões, virtudes, tristezas, alegrias, amor)
Em O Homem Duplicado toda a trama toma ares de uma ficção cientifica tipicamente hollyoodiana, quando um homem descobre a partir de uma “casualidade” que existe alguém igual a ele, um sósia, um duplicado. O então pacato professor de História, Tertuliano Máximo Afonso descobre que o ator secundário, coadjuvante, Daniel Santa-Clara, que na verdade se chamava Antonio Claro, é sua cópia perfeita. Por mera curiosidade e um desejo insofismável, o professor acaba entrando em contato com o seu sósia (embora advertido pelo senso comum de que não era uma boa idéia) causando profundo transtorno na mulher deste e posteriormente encontrando-se com o mesmo, em que cessada a curiosidade, acordam em não mais se encontrarem, já que puderam viver até aqui ignorando um ao outro por trinta e oito anos, poderiam viver o restante de suas vidas. Tertuliano que até então estava vivendo semanas tensas por conta dessa “descoberta”. Alivia-se do transtorno que vinha lhe consumindo e acaba por tomar outros ares em sua vida como: elaborar o projeto solicitado pelo diretor de sua escola para uma nova metodologia no ensino da História; casar-se com Maria da Paz, depois de uma conversa parcialmente franca ou nos termo de Saramago, de meias verdades com a mãe, a qual fez brotar no filho o amor pela moça a muito preterido. Contudo, a história ganha seu clímax, justamente pelo sentimento poder-se-ia dizer, narcisista de Antonio Claro, quando este usando da desculpa de que a súbita noticia de que havia um homem igual ao seu marido, afetou a sua mulher de uma maneira que prejudicou sua vida conjugal, Antonio Claro, expõe seus intentos a Tertuliano, a saber, de que dormiria com sua futura esposa como compensação. Não tendo coragem moral de assumir seu duplo, Tertuliano não vê outra alternativa a não ser resignar-se ante o plano de Antonio Claro. O professor no entanto, valendo-se da máxima da Lei de Talião, Olho por olho, dente por dente, assume o lugar de Antonio, indo dormir com Helena a mulher deste. No outro dia porém, angustiado por não receber noticias, nem de Antonio ou sequer de Maria da Paz, que foram para um sitio distante da cidade, Tertuliano liga para a casa desta ficando informado de que ela havia sofrido um acidente juntamente com o noivo, ocasionando a morte de ambos. Transtornado diante da noticia, com sua identidade sepultada o professor depois de muito lamentar e chorar, recobrando um pouco a razão, liga para sua casa, avisando a mãe de que ele não havia morrido. Claro está que a mãe já estava ciente do seu duplicado. O passo seguinte é contar a Helena, e esta propõe a ele que assuma o lugar de Antonio de fato, já que ambos não tinham para onde ir. No fim, ele recebe uma ligação de um homem com mesma voz que a sua, garantindo ser uma pessoa idêntica a ele, perguntando-lhe se chamava Daniel Santa-Clara, ao cabo que este, responde prontamente que sim, marcando um encontro, sem contudo, esquecer de levar uma arma consigo, ao que parece, para que a historia não se repita.
Irecê, Segunda-feira, 05 de Maio de 2008. 16:00 h
Personagens:
Tertuliano Máximo Afonso (Professor de História)
Antonio Claro. (Daniel Santa-Clara)
Maria da Paz
Helena
Carolina Máximo Afonso. (Mãe)
Professor de Matemática
Diretor do Colégio.
A forma singular com que Saramago constrói seus romances manifesta-se não somente no aspecto visual de uma escrita “ausente” de demarcações diferindo dos demais escritores, mas sobretudo, pela majestosa maneira como enreda suas histórias, dotando seus personagens de significativos traços psicológicos, que para o senso comum, beira a loucura, embora faça parte da ambiência da obra do escritor. Assim é em A caverna, Ensaio Sobre a Cegueira, Jangada de Pedra, onde os personagens se vêem em torno de uma trama aparentemente absurda, mas que no fundo desnuda a natureza humana ante a face absurda do acontecimento, colocando em xeque seu humano (paixões, virtudes, tristezas, alegrias, amor)
Em O Homem Duplicado toda a trama toma ares de uma ficção cientifica tipicamente hollyoodiana, quando um homem descobre a partir de uma “casualidade” que existe alguém igual a ele, um sósia, um duplicado. O então pacato professor de História, Tertuliano Máximo Afonso descobre que o ator secundário, coadjuvante, Daniel Santa-Clara, que na verdade se chamava Antonio Claro, é sua cópia perfeita. Por mera curiosidade e um desejo insofismável, o professor acaba entrando em contato com o seu sósia (embora advertido pelo senso comum de que não era uma boa idéia) causando profundo transtorno na mulher deste e posteriormente encontrando-se com o mesmo, em que cessada a curiosidade, acordam em não mais se encontrarem, já que puderam viver até aqui ignorando um ao outro por trinta e oito anos, poderiam viver o restante de suas vidas. Tertuliano que até então estava vivendo semanas tensas por conta dessa “descoberta”. Alivia-se do transtorno que vinha lhe consumindo e acaba por tomar outros ares em sua vida como: elaborar o projeto solicitado pelo diretor de sua escola para uma nova metodologia no ensino da História; casar-se com Maria da Paz, depois de uma conversa parcialmente franca ou nos termo de Saramago, de meias verdades com a mãe, a qual fez brotar no filho o amor pela moça a muito preterido. Contudo, a história ganha seu clímax, justamente pelo sentimento poder-se-ia dizer, narcisista de Antonio Claro, quando este usando da desculpa de que a súbita noticia de que havia um homem igual ao seu marido, afetou a sua mulher de uma maneira que prejudicou sua vida conjugal, Antonio Claro, expõe seus intentos a Tertuliano, a saber, de que dormiria com sua futura esposa como compensação. Não tendo coragem moral de assumir seu duplo, Tertuliano não vê outra alternativa a não ser resignar-se ante o plano de Antonio Claro. O professor no entanto, valendo-se da máxima da Lei de Talião, Olho por olho, dente por dente, assume o lugar de Antonio, indo dormir com Helena a mulher deste. No outro dia porém, angustiado por não receber noticias, nem de Antonio ou sequer de Maria da Paz, que foram para um sitio distante da cidade, Tertuliano liga para a casa desta ficando informado de que ela havia sofrido um acidente juntamente com o noivo, ocasionando a morte de ambos. Transtornado diante da noticia, com sua identidade sepultada o professor depois de muito lamentar e chorar, recobrando um pouco a razão, liga para sua casa, avisando a mãe de que ele não havia morrido. Claro está que a mãe já estava ciente do seu duplicado. O passo seguinte é contar a Helena, e esta propõe a ele que assuma o lugar de Antonio de fato, já que ambos não tinham para onde ir. No fim, ele recebe uma ligação de um homem com mesma voz que a sua, garantindo ser uma pessoa idêntica a ele, perguntando-lhe se chamava Daniel Santa-Clara, ao cabo que este, responde prontamente que sim, marcando um encontro, sem contudo, esquecer de levar uma arma consigo, ao que parece, para que a historia não se repita.
Irecê, Segunda-feira, 05 de Maio de 2008. 16:00 h
Nostagia Anacronica
Não vivi os anos 60 e 70. Apenas ouço os ruídos de uma época marcada por grandes transformações. Guerra Fria, ditadura militar, tropicalismo, cinema novo, socialismo, guerrilha. Todos esses acontecimentos estão emoldurados nos quadros da História, eu os vejo ao longe, numa época aparentemente distante para mim. Mas confusamente, sinto saudade. Talvez seja pela contradição que vivemos atualmente, pelo niilismo marcadamente presente no individualismo alimentado pela economia de mercado, tônica das políticas de Estado. Falar em socialismo é como encenar uma comédia grega, o tom será sempre do escárnio, ao estilo de Sófocles. Ainda sim, quero ressuscitar o velho douto, o barbudo alemão que dividiu a humanidade, que deu mais ênfase as posições de esquerda, que acreditava numa sociedade da maioria, em uma democracia de direito e não de fachada. Não sei que tipo de mudança está em curso. Não será certamente como ele queria, mas, indubitavelmente, ela virá, de uma maneira ou de outra. É só olhar para os bolsões de miséria que crescem no mundo, principalmente na África. Dos guetos Norte-americanos, das periferias francesas, que recentemente deram seu grito de socorro e de revolta, das favelas dos países ironicamente chamados de emergentes, ou melhor, em desenvolvimento, que assolam a burguesia cansada de violência, e que vão à praia, vestidas de branco, provavelmente de uma grife caríssima, para pedir paz. Como se a paz, fosse uma entidade, que só precisa ser convocada, como se ela não estivesse nos interstícios da marginalização, do descaso, da arrogância e da indiferença dos usurpadores, como se pudéssemos separá-la das mutações de homens e mulheres e por que não, crianças e adolescentes que crescem nas periferias, longe de qualquer relação familiar ou social que conhecemos, alheios as políticas governamentais. Junte-se a tudo isso o desastre ambiental batendo a porta, para fazer coro à orquestra de horror digna de muitos oscars. Não sei o que pensam os que anunciam que o Socialismo acabou, que fazem deboche de revoluções outrora festejadas. Estes, apropriam-se da mídia para passar uma idéia acabada, finda, como um Grande Irmão, fundando os seus ministérios da Guerra, da Paz e, acima de tudo, da Ilusão, ludibriando, atraindo a todos para águas cada vez mais rasas, levando-os para seu ocaso. Estes também se deixaram levar pelo canto das sereias, pois estão não sabem eles que estão no mesmo barco? Ilusão de um sistema deprimente e ultrajante a tudo que se assemelha do humano, a saber, o companheirismo e a coletividade. Diz-se que olhar para o passado é sempre um exercício saudosista, pois, sempre apagamos os momentos ruins da memória. Talvez. Mas certamente o saudosismo que me cerca, reporta para uma época em que se acreditava em mudanças, em ações dos indivíduos por um mundo melhor, mais justo. Sei que tudo isso soa meio romântico e pode até está em descompasso com o mundo em que vivemos, no entanto, quero andar na contramão dos “fatos”, quero ser o que restou da caixa de Pandora, do que acredita numa mudança, quero ser o utópico, o lunático. Tem uma frase conhecida que diz que o sonho é o alimento da alma, pois bem, que o banquete seja servido. Refestelar-me-ei todos os dias, todas as noites. Vou procurar esse ponto de fuga, para onde deve convergir a tela de minha vida.
Acordar
Acorda-se de um sobressalto, inquieto.
Alguma coisa a latejar no fundo
Brandindo sem que nem por que
Não são alusões metafísicas
a lhe atormentarem o juízo
Poder-se-ia pensar, em divagações
sobre estética, moral, política, religião,
qualquer nobre causa digna de vigília, ledo engano.
A dor é física, pungente.
Grunhidos irrompem como avisos.
Morte lenta, serena, gradativa, não menos angustiante.
O definhamento do corpo,
ressequido de seiva, de mel, de pão.
Como pensar a condição do homem
sem qualquer condição de pensamento?
A materialidade sobrepondo-se a idéia
O ter como condição para o ser,
a mínima dignidade humana de existência
Como na oração crista:
“O pão nosso de cada dia nos daí hoje”
Eis o recurso precípuo para a lida, a labuta, para o pensar,
Eis a clemência ordinária de todos os dias e de todas as horas.
Lula Dourado 04/12/2007
Alguma coisa a latejar no fundo
Brandindo sem que nem por que
Não são alusões metafísicas
a lhe atormentarem o juízo
Poder-se-ia pensar, em divagações
sobre estética, moral, política, religião,
qualquer nobre causa digna de vigília, ledo engano.
A dor é física, pungente.
Grunhidos irrompem como avisos.
Morte lenta, serena, gradativa, não menos angustiante.
O definhamento do corpo,
ressequido de seiva, de mel, de pão.
Como pensar a condição do homem
sem qualquer condição de pensamento?
A materialidade sobrepondo-se a idéia
O ter como condição para o ser,
a mínima dignidade humana de existência
Como na oração crista:
“O pão nosso de cada dia nos daí hoje”
Eis o recurso precípuo para a lida, a labuta, para o pensar,
Eis a clemência ordinária de todos os dias e de todas as horas.
Lula Dourado 04/12/2007
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